Câmara Rejeita Cassação de Carla Zambelli em Votação Marcada por Ausências e Divisão Política
Brasília — A Câmara dos Deputados Federal rejeitou nesta quarta-feira, 10 de dezembro, o pedido de cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Para que a cassação fosse aprovada, eram necessários 257 votos, mas o placar final registrou 227 votos a favor e 170 votos contrários, demonstrando que uma parcela significativa dos parlamentares optou por não punir a deputada.
Zambelli, que atualmente se encontra presa na Itália após condenação, participou da sessão por videoconferência e reiterou a tese de perseguição política orquestrada pelo Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Condenações em Trânsito Julgado
Apesar da rejeição da Câmara, a situação judicial da parlamentar é crítica. Zambelli foi condenada em dois processos já em trânsito julgado (sem possibilidade de recurso), que fundamentavam o pedido de cassação:
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Agressão e Ameaça com Arma: A deputada foi condenada por sacar uma arma e perseguir um homem em uma via pública dias antes das eleições presidenciais de 2022.
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Fraude e Falsidade Ideológica: Condenação por contratar um hacker com o objetivo de inserir um mandato falso de prisão contra o Ministro do STF, Alexandre de Moraes, utilizando ferramentas da Justiça.
O insucesso da cassação na esfera legislativa levanta um debate sobre a morosidade e a leniência do Congresso em aplicar o Código de Ética e Decoro Parlamentar, mesmo diante de condenações definitivas.
A Hipocrisia em Evidência
A votação expôs, mais uma vez, as contradições do cenário político. O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que recentemente teve seu próprio mandato submetido a escrutínio (sendo punido com suspensão após agredir um militante), votou a favor da cassação de Zambelli, tentando demonstrar coerência.
Votos dos Deputados Capixabas
A bancada do Espírito Santo demonstrou divisão, com parte votando por manter o mandato da deputada condenada:
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Votaram Contra a Cassação (Por Manter o Mandato): Gilvan da Federal (PL), Da Vitória (Progressistas), Evair de Melo (Progressistas) e Amaro Neto (Republicanos).
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Nota: A abstenção ou o não comparecimento de outros membros da bancada, embora não conste na informação, foi decisivo para o resultado geral.
A manutenção do mandato de Zambelli, mesmo diante de graves condenações que transitam pela esfera criminal, reforça a percepção de que o plenário da Câmara tem priorizado a lealdade ideológica e a blindagem corporativa em detrimento da ética e do decoro parlamentar exigidos pela Constituição.
