...

...

No ar: ...

...

Como diria Lavoisier na política "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, O refúgio dos "imortais após derrota nas urnas

Publicada em: 02/01/2026 10:42 -

O Ciclo dos "Imortais" da Política: Entre Salários de R$ 31 Mil e o Refúgio em Cargos de Confiança

Como diria Lavoisier na ciência — e a prática brasileira confirma na política —, "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". O sistema político nacional parece ter aperfeiçoado uma versão própria da lei da conservação das massas: a lei da conservação dos mandatos perdidos. Figuras que não obtêm o aval das urnas raramente retornam à vida civil comum; em vez disso, são "transformadas" em assessores de luxo ou secretários estratégicos, mantidas pelo erário público sob o argumento da "experiência".

O Gabinete de Ouro de Rose de Freitas

O caso mais recente a ganhar as manchetes nacionais envolve a ex-senadora capixaba Rose de Freitas (MDB-ES). Derrotada nas eleições de 2022, Rose não ficou desamparada. Ela ocupa hoje o segundo cargo comissionado mais alto na hierarquia da presidência do Senado, sob o comando de Davi Alcolumbre (União-AP).

Com um vencimento de R$ 31.279,53, somado a um auxílio-alimentação de quase R$ 1,8 mil e a polêmica dispensa de registro de ponto, Rose atua como uma espécie de "assessora volante". Em sua própria defesa, a ex-senadora afirma que não trabalha no gabinete propriamente dito, mas que acompanha comissões e ministérios. O arranjo permite que ela passe cerca de 10 dias por mês no Espírito Santo, mantendo sua base política ativa, enquanto os outros 20 dias em Brasília são custeados pelo contribuinte.

A presidência do Senado e o ex-presidente Rodrigo Pacheco sustentam que a nomeação é legal e baseada na "capacidade reconhecida" da ex-parlamentar. No entanto, o que a legalidade permite, a moralidade pública muitas vezes questiona: até quando o serviço público será utilizado como rede de proteção para quem o eleitor decidiu aposentar?


 O Caso Guerino Balestrassi

Essa "reciclagem" de lideranças não é exclusividade da capital federal. No Espírito Santo, o cenário se repete com figuras da chamada "velha política". Um exemplo notório é o do ex-prefeito de Colatina, Guerino Balestrassi. Após sucessivos mandatos e uma derrota eleitoral, o sistema prontamente abriu espaço para sua realocação no Governo do Estado.

A criação de pastas ou cargos específicos para abrigar ex-prefeitos e ex-parlamentares levanta uma reflexão necessária sobre a sobrevida política. Esses cargos funcionam como balões de oxigênio para manter vivas figuras que, embora democraticamente rejeitadas nas últimas eleições, utilizam a estrutura da administração pública para se preservarem politicamente até o próximo pleito.


 O Eleitor e o Sistema Ruído

O que espanta não é apenas a existência desses "cabides de emprego" de alto luxo, mas a forma como o sistema se retroalimenta. Grupos próximos a esses candidatos — muitas vezes movidos por interesses próprios e benefícios que não chegam aos olhos do grande público — trabalham incansavelmente para influenciar o eleitorado, perpetuando nomes que pouco contribuem para a renovação de políticas econômicas ou administrativas.

É um sistema que parece estar "ruído" diante de boa parcela da população, mas que resiste bravamente através do corporativismo. Como essas figuras conseguem, mesmo após décadas de poder, ainda atrair quantidades expressivas de votos? A resposta pode estar na falta de propostas reais de mudança e na dependência que muitas regiões ainda têm dessas "oligarquias" políticas que dominam o acesso ao estado.

A manutenção de Rose de Freitas com um salário de R$ 31 mil e a realocação de Balestrassi são sintomas da mesma patologia: uma política que se recusa a renovar e um sistema que prefere o conforto do conhecido — e caro — em vez do desafio da eficiência administrativa e do respeito à vontade soberana das urnas que pediu mudança.

Compartilhe:
COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
Carregando...