Fogo Amigo e Racha no PL: Direita Capixaba Explode em Guerra de Narrativas e Ataques Pessoais
VITÓRIA – O que deveria ser uma coalizão sólida de oposição transformou-se, nesta semana, em um campo de batalha aberto. O Partido Liberal (PL) no Espírito Santo vive uma crise de identidade e lealdade que expõe as vísceras de um racha profundo. O estopim foi a declaração contundente do vereador de Vitória, Dárcio Bracarense, que disparou contra o ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon, incendiando os grupos de WhatsApp e as bases partidárias.
O Estopim: "Não Peço Voto para Bandido"
Em uma fala que reverberou como uma granada nos bastidores, Dárcio Bracarense afirmou publicamente que não empenha apoio a quem possui histórico judicial nebuloso. O vereador traçou um paralelo direto entre Guerino Zanon e o presidente Lula, utilizando um processo — hoje arquivado — que investigava suspeitas de corrupção envolvendo multas milionárias de multinacionais no estado.
Vale ressaltar que, à época, o Ministério Público declarou que as investigações da Polícia Civil não poderiam ter prosseguido devido ao foro privilegiado de políticos envolvidos. Embora o caso tenha sido encerrado por questões processuais, Bracarense utilizou o episódio para questionar a idoneidade de Zanon, ferindo a estratégia de unificação do partido.
A Reação: O Ataque do Grupo de Gilvan da Federal
A resposta veio com rapidez e agressividade. Um assessor do deputado federal Gilvan da Federal utilizou grupos de "patriotas conservadores" para desferir ataques ferozes contra Dárcio. Em mensagens carregadas de adjetivos como "oportunista", "mentiroso" e "sem caráter", o grupo de Gilvan acusou o vereador de Vitória de nunca ter estado na "linha de frente" e de usar o discurso conservador apenas como escada política.
"A maior ameaça ao nosso movimento não é só a esquerda, mas figuras como Dárcio Bracarense", dizia um trecho da mensagem, evidenciando que, para o núcleo ligado a Gilvan, o inimigo agora está dentro de casa.
A Defesa de Guerino Zanon
Enquanto o fogo cruzado entre Dárcio e o grupo de Gilvan ocupava as redes, o entorno de Guerino Zanon iniciou uma contraofensiva de imagem. Assessores e aliados do ex-prefeito passaram a compartilhar conteúdos que o apontam como o nome mais preparado, experiente e "corajoso" para representar a direita capixaba, tentando blindar sua biografia das acusações de Bracarense.
O Ego acima da Ideologia?
O cenário atual do PL capixaba revela uma direita fragmentada pelo purismo e por disputas de espaço. Enquanto os protagonistas trocam acusações de "mau-caráter" e "ex-condenado", o partido sangra publicamente. A estratégia de "cancelamento interno" pode custar caro nas urnas, já que o eleitor conservador, muitas vezes, busca ordem e união.
O racha no PL não é apenas uma divergência de opiniões; é uma demonstração de que a luta pelo controle da narrativa da direita no Espírito Santo está acima de qualquer projeto coletivo. Resta saber se o partido conseguirá recolher os cacos dessa explosão ou se o abismo entre as alas de Bracarense, Gilvan e Zanon se tornará permanente.
