O Desafio do Quociente: Renzo Vasconcelos e a Missão de Ressuscitar o PSD rumo ao Congresso
COLATINA – No xadrez político capixaba, a matemática eleitoral costuma ser mais implacável que o discurso de palanque. Para o prefeito de Colatina e atual presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, a missão de 2026 já começou com um fantasma do passado e um tabuleiro de difícil execução: transformar uma legenda que teve desempenho inexpressivo em 2022 em uma força capaz de romper a barreira do quociente eleitoral para o cargo de deputado federal.
A Lição Amarga de 2022
Renzo conhece bem o peso da legenda. Nas últimas eleições gerais, ele obteve expressivos 82.284 votos individuais disputando pelo PSC. No entanto, sua votação não foi suficiente para levá-lo a Brasília, pois o partido somou apenas cerca de 120 mil votos, ficando muito aquém dos aproximadamente 208 mil necessários para atingir uma cadeira pelo quociente.
O cenário no PSD é ainda mais desafiador. Em 2022, o partido beirou a insignificância nas urnas federais no ES, somando apenas 1,6 mil votos com cinco candidatos. Agora, sob o comando de Renzo, a sigla precisa sair do zero absoluto para enfrentar gigantes como o PL, o PT e o PP, que hoje detêm as 10 cadeiras do estado.
A Estratégia da Chapa e o Nome da Esposa
Fontes de bastidores indicam que Renzo estuda lançar sua esposa como candidata a deputada federal. A estratégia visa herdar o capital político construído por ele em Colatina e região, mas o desafio é coletivo: não basta ter um nome forte; é preciso montar uma chapa de candidatos médios que, somados, alcancem os mais de 200 mil votos necessários.
O tempo é o maior inimigo. No mercado político, comenta-se que as portas para grandes alianças estão se estreitando, e muitos duvidam da capacidade do PSD em atrair "puxadores de votos" suficientes para viabilizar a legenda no estado.
O Paredão da Bancada Atual
Para o PSD conquistar um espaço, terá que desbancar um dos dez atuais ocupantes da bancada capixaba, composta por nomes de peso e alta densidade eleitoral:
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PT: Helder Salomão e Jack Rocha
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PL: Gilvan da Federal
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PP: Evair de Melo e Da Vitória
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Podemos: Gilson Daniel e Dr. Victor Linhalis
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Republicanos: Amaro Neto e Messias Donato
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PSB: Paulo Foletto
A conta, por enquanto, ainda não fecha. Renzo Vasconcelos assumiu a presidência do PSD com a promessa de protagonismo, mas a realidade das urnas exige uma engenharia política que o partido ainda não demonstrou ter no Espírito Santo. Resta saber se o "efeito Colatina" será forte o suficiente para quebrar a hegemonia dos partidos tradicionais e garantir ao PSD uma das cobiçadas cadeiras em Brasília.
